13 fev A Reputação de um Conselheiro: Reflexões para Conselheiros e Empresários
A reputação de um conselheiro é, sem dúvida, um dos ativos mais valiosos que ele pode carregar ao longo da sua trajetória profissional. Em ambientes corporativos cada vez mais expostos à opinião pública, à fiscalização de órgãos reguladores e à pressão de stakeholders, a forma como um conselheiro se posiciona diante de dilemas éticos e de governança pode determinar não apenas sua permanência em um conselho, mas também sua capacidade de ser indicado para novas oportunidades.
Imagine a seguinte situação, um conselheiro participa de uma votação em que está em jogo a permanência de um presidente acusado de assédio moral contra colaboradores e terceiros. Se esse conselheiro opta por apoiar a continuidade do executivo, mesmo diante de evidências claras de má conduta, qual mensagem ele transmite? Para os demais membros, para os funcionários e para o mercado, a decisão pode ser interpretada como conivência com práticas antiéticas.
Esse tipo de posicionamento mina a credibilidade não apenas do conselheiro, mas também da organização. Afinal, o conselho é visto como guardião da governança e da integridade corporativa. Quando um conselheiro se abstém ou se curva à vontade do principal executivo apenas para preservar sua cadeira, ele demonstra que seus interesses pessoais estão acima do bem coletivo.
É importante lembrar que as melhores vagas de conselheiro geralmente surgem por indicação. Isso significa que a reputação construída em cada conselho é observada e comentada por outros líderes empresariais. Um conselheiro que se posiciona de forma clara e ética, mesmo diante de pressões, tende a ser lembrado como alguém confiável e comprometido com os princípios da governança. Por outro lado, aquele que se omite ou pactua com práticas questionáveis corre o risco de ser excluído de futuras oportunidades.
Muitas vezes, não existe uma “lista negra” formal de conselheiros que agem contra a ética. Porém, o mercado é pequeno e as informações circulam rapidamente. Um colaborador prejudicado por uma decisão pode compartilhar sua experiência com outros empresários e conselheiros, influenciando diretamente a reputação de quem participou daquela decisão.
Mesmo quando um conselheiro não concorda com determinada decisão, é fundamental deixar claro seu posicionamento. Essa transparência fortalece sua imagem como alguém que não se omite diante de dilemas éticos. Além disso, demonstra respeito às pessoas impactadas pela decisão, que podem reconhecer o esforço do conselheiro em defender o que considera correto.
A reputação, nesse sentido, é construída não apenas pelas vitórias, mas também pela coragem de se posicionar em situações adversas. Um conselheiro que se abstém para evitar conflitos pode até preservar sua cadeira momentaneamente, mas compromete sua credibilidade a longo prazo.
Para empresários que buscam conselheiros, a reflexão é igualmente relevante. A escolha de quem ocupará uma cadeira no conselho deve ir além do currículo ou da experiência em grandes corporações. É preciso avaliar a postura ética, a capacidade de enfrentar pressões e o compromisso com a governança. Um conselheiro que se curva a interesses pessoais ou ao poder de um executivo pode colocar em risco a sustentabilidade da organização.
A reputação de um conselheiro é construída diariamente, em cada reunião, em cada votação e em cada posicionamento. Mais do que títulos ou experiências passadas, o que realmente define a trajetória de um conselheiro é sua capacidade de agir com ética, coragem e responsabilidade. Empresários e conselheiros devem ter em mente que a credibilidade é o maior patrimônio que se pode carregar e que ela pode ser fortalecida ou destruída por uma única decisão.
Esse é um chamado à reflexão: como você deseja ser lembrado no mercado? Como alguém que se posiciona com firmeza e ética, ou como alguém que se omite diante da falta de governança?

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