05 dez Boardwashing: quando o conselho vira simplesmente uma vitrine
Em muitos conselhos, a teoria da boa governança parece clara: decisões devem ser tomadas com base no que é melhor para a organização, equilibrando riscos, oportunidades e responsabilidade perante executivos, acionistas, colaboradores e sociedade. No entanto, na prática, não é raro encontrar situações em que o conselho se torna apenas uma instância formal, validando escolhas que refletem exclusivamente a vontade do principal executivo.
Esse fenômeno, conhecido como boardwashing, ocorre quando a governança deixa de ser aplicada de forma efetiva e o conselho passa a existir apenas para cumprir exigências legais ou transmitir ao mercado uma imagem de solidez que, na realidade, não se sustenta. É como se o conselho fosse uma vitrine: bonito por fora, mas vazio por dentro.
📌 O dilema é evidente: o que fazer quando você, como conselheiro, percebe que as decisões não estão sendo tomadas em benefício da organização, mas sim para atender interesses pessoais do executivo ou de um grupo de aliados?
Muitos afirmam que se posicionariam, que defenderiam a boa governança e registrariam sua discordância em ata. Mas o que escuto com frequência é diferente: conselheiros acuados, inseguros, que acabam se calando diante da pressão do grupo. O medo de serem vistos como “do contra” ou de ficarem malvistos no mercado, perdendo futuras indicações, pesa mais do que a responsabilidade de zelar pelo futuro da empresa.
Essa postura revela uma fragilidade preocupante. Afinal, o papel de um conselho não é apenas validar decisões, mas questionar, orientar e garantir que a organização siga o caminho mais sustentável e responsável. Quando conselheiros deixam de exercer esse papel, o conselho se transforma em uma instância simbólica, sem impacto real.
Os poucos que se posicionam muitas vezes enfrentam resistência. São rotulados como “maus conselheiros” ou vistos como pessoas difíceis, justamente por não se alinharem ao grupo de amigos e aliados do executivo. Essa dinâmica cria um ambiente tóxico, em que a independência e a diversidade de pensamento — pilares fundamentais da governança — são sufocados.
💡 A reflexão que proponho é: até que ponto vale a pena se calar para preservar sua imagem, se isso significa comprometer a credibilidade da organização e a sua própria responsabilidade como conselheiro?
Governança não é sobre agradar, mas sobre proteger o futuro da empresa. É sobre ter coragem de levantar a mão e dizer “não concordo”, mesmo que isso signifique ser voz solitária. É sobre lembrar que o conselho existe para representar os interesses maiores da organização, e não para servir de palco a vontades individuais.
Portanto, se você estivesse diante de um caso de boardwashing, qual seria o seu posicionamento? Falaria, argumentaria e defenderia o que acredita ser o melhor para a empresa, ou se calaria para não se indispor?
Deixe sua resposta nos comentários. Quero refletir sobre cada perspectiva e ampliar esse debate que considero essencial para o futuro da governança corporativa.
Abraços,

Conselheira, MSc, Mentora e Consultora Empresarial THGO Plus
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